Estou realmente de mãos e coração atados, nada sinto e não sei o que fazer para mudar isso, não sinto medo, não sinto amor nem dor, e como Arnaldo Antunes disse em sua música, "já não sinto nada". Descobri (e doeu perceber isso) que minhas paixões são efêmeras, pois ao ver que não há reciprocidade eu simplesmente as deleto do meu cérebro (ou coração, embora não acho que o coração seja o lugar apropriado).
Gosto da paixão pois ela me dá ânimo e inspiração, gosto do envolvimento, do cuidado, gosto da saudade, do frio na barriga devido a espera pelo encontro. Gosto do encanto, de encantar e ficar encantada. Gosto da sedução, de carinhos, beijos, mas não me encanto pela promiscuidade. Gosto do que é essencialmente verdadeiro, mas me entristeço sempre que lembro que vivo em um mundo com sentimentos tão sucateados.
O amor que em si é algo tão simples, se tornou obsoleto, inatingível, inalcançável e terrivelmente complicado de se entender. Como se não bastasse, a resistência que insiste em continuar amando acaba sendo taxada de idiota, ou seja, o poeta apaixonado pelo amor é um otário que cultiva a dor de um sentimento exclusivamente seu, e em seu direito de sentir o que quiser é logo julgado como um ser desprezível apenas porque ama. Amar está virando um ato de violência. Que absurdo!
Agora devo eu pedir desculpas por sentir amor? Devo me colocar no lugar de ré confessa, ajoelhar em grãos de milho, rezar um trilhão de aves marias para receber perdão pelo simples ato de amar? Os valores estão tão invertidos, e isso não me diverte nem um pouco. A essência humana que padece por carecer de amor vai encontrando literalmente o fundo do poço por oprimir um sentimento tão essencial.
Eu não sei o que está passando em meu coração, sei que novos encantos estão por vir em novos encontros, e nem por parecer otária vou deixar de aproveitar com amor e carinho toda novidade que surgir. Vou mergulhando de cabeça porque nunca aprendi a ser superficial, e há milhares de anos venho tentando retomar minha essência, que nesta vida enfim está se tornando um pouco mais clara.
Enquanto o coração dói por me sentir inerte na arte da paixão, minha alma sorri com a simplicidade que aprendi praticando o amor incondicional. E enquanto um ser (de outro planeta) não me descobre como sua alma gêmea, e me reconheça como um ser singular (que sou), sigo cantando e amando, compreendendo e praticando todo o sentido da equanimidade.

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